terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Londrina concentra 70% dos casos confirmados de dengue no Paraná

Secretário estadual de Saúde vem a Londrina na próxima quinta-feira (27) para definir ações de combate à doença
             

A Secretaria de Estado da Saúde (SESA) divulgou nesta segunda-feira (24) os dados semanais sobre a situação da dengue no Paraná. Dos 2.019 casos notificados da doença, 645 foram registrados em Londrina. Os outros municípios com maior índice foram Foz do Iguaçu (215 casos) e Jacarezinho (190 casos). Houve notificações de casos suspeitos de dengue em 103 cidades.
No total, foram confirmados 49 casos de dengue em sete municípios. Londrina concentra 70% dos doentes (35). Os outros casos foram confirmados em Foz do Iguaçu (8), Jacarezinho (2), Rolândia (1), Paranavaí (1), Cruzeiro do Iguaçu (1) e Ortigueira (1).
A diretora da 17ª Regional de Saúde, Djamedes Maria Garrido, classificou a situação atual como preocupante. “Londrina está prestes a enfrentar, novamente, uma epidemia de dengue. Nós estamos todos muito preocupados, e o secretárioMichele Caputo Neto solicitou a presença dos responsáveis pela secretaria municipal de Saúde para diagnosticar onde estão as dificuldades nesse combate à doença”, afirmou.
O secretário estadual de Saúde sugeriu que, como parte de um plano de ação de prevenção, as secretarias municipais trabalhem de forma conjunta, disse Djamedes. “É preciso um trabalho verdadeiramente de equipe, envolvendo o pessoal da saúde, da limpeza pública e da educação. Principalmente nessa volta às aulas, é fundamental fazer um trabalho com as crianças para que elas possam ser transmissoras das informações para os pais, que ajudem na prevenção à dengue”, comentou.
Para a diretora, “se a população não colaborar, vai ser difícil combater a dengue. Não importa a quantidade de agentes trabalhando, se as pessoas continuarem a deixar lixo nos quintais, acumulando água, servindo de criadouro de mosquitos, nós vamos acabar com uma epidemia em Londrina”.
Ela ainda confirmou a presença do secretário Michele Caputo Neto na cidade na próxima quinta-feira (27). “Ele virá se reunir com todos os secretários municipais de saúde da regional para que possamos juntos definir ações para combater a dengue de maneira mais direta e eficaz”, garantiu.
A reportagem do JL entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde, mas tanto a secretária, Ana Olympia Velloso Marcondes Dornellas, quanto a gerente de ações da Vigilância Sanitária, Denise Felipsen, estavam em reunião e não quiseram se manifestar a respeito dos números.

Sala de situação

Os dados foram divulgados pela sala de situação, que foi instalada no começo de janeiro para monitorar os dados das 22 regionais de Saúde do estado em tempo real. A intenção é ter um mapa atualizado da dengue no Paraná, principalmente nos 56 municípios que estão com os piores indicativos da doença no estado. Desde o último dia 19, o Ministério da Saúde determinou, através de uma portaria, que os casos suspeitos de dengue grave e de mortes provocadas pela doença devam ser notificados às autoridades em um prazo de até 24 horas.
Essa agilidade na notificação dos casos faz com que o trabalho de prevenção e bloqueio da dengue seja realizado de maneira mais ágil. Quando um caso notificado da dengue é confirmado, as equipes municipais de Vigilância em Saúde determinam uma área ao redor do local conde foi constatada a doença, para que os agentes verifiquem a existência de focos do mosquito Aedes aegypti.
Os trabalhos da sala de situação priorizam regiões em que a situação é mais grave: Foz do Iguaçu, Maringá, Londrina e Paranavaí. Os dados são preocupantes, e mostram um aumento no número de pessoas infectadas no Estado. Em Londrina, por exemplo, os casos saltaram de 209 em 2009 para 3.376 no ano passado. Na cidade de Jacarezinho, que não registrou nenhum caso de dengue em 2009, 555 pessoas contraíram dengue no ano passado. Foz do Iguaçu registrou a maior elevação, saindo de 64 casos confirmados em 2009 para 10.949 em 2010.
Mesmo com todas as campanhas de orientação e prevenção, o mosquito da dengue ainda é uma realidade. Segundo dados da secretaria, no ano passado, 15 pessoas morreram de dengue no estado e mais de 33 mil pessoas foram infectadas pelo Aedes aegypti, o mosquito transmissor da doença. Para o secretário Michele Caputo Neto, esta é a pior situação já enfrentada desde o aparecimento da doença no Paraná. “As 15 mortes por dengue registradas no último ano poderiam ter sido evitadas. O que temos sentido é que faltou planejamento e gestão em todas as áreas.”
O superintendente de Vigilância em Saúde da SESA, Sezifredo Paz, pediu, em comunicado da SESA, para que os cuidados no combate e prevenção à dengue não diminuam. “A população deve continuar contribuindo para a eliminação dos criadouros (água parada) nos seus domicílios, que é a medida mais eficaz para combater uma epidemia”, disse. Segundo dados levantados pela SESA, 98% dos focos da doença são encontrados em residências.

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